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Métricas

Taxa de recompra no varejo brasileiro: os números por setor

14 de setembro de 2026 · por Equipe Loya

Todos os postsDados de taxa de recompra no varejo brasileiro por setor, segundo o Clienting Index 2026 da Dito: frequência por setor, crescimento da base e a média de 1,59 compra por cliente ao ano

Faturamento cresce e ninguém pergunta de onde veio. Pode ter vindo de cliente novo, que custa caro, ou de cliente que voltou, que custa quase nada. A taxa de recompra é o número que separa os dois, e é o mais ignorado do varejo brasileiro.

Este guia reúne os dados públicos disponíveis sobre recompra no Brasil, explica como calcular a sua e o que fazer com o resultado. As fontes estão nomeadas na última seção.

O que é taxa de recompra e como se calcula

Taxa de recompra é o percentual de clientes que compraram mais de uma vez num período. A fórmula é direta:

(clientes que compraram 2 ou mais vezes ÷ total de clientes únicos) × 100

Em 12 meses, 1.000 clientes atendidos e 400 com duas ou mais compras dão 40% de taxa de recompra.

Uma condição precede a fórmula: você precisa identificar o cliente na compra. Sem cadastro, sem telefone, sem programa, cada venda é anônima e a mesma pessoa aparece como cinco clientes diferentes. É por isso que a maioria dos comércios de bairro não tem esse número, e não porque não queira.

Os números do varejo brasileiro

O levantamento mais recente com base ampla é o Clienting Index 2026, da Dito, que analisou 300 marcas de varejo com atuação no Brasil, cobrindo 59,7 milhões de clientes, 139,6 milhões de compras e R$ 39,6 bilhões em receita.

Frequência de compra anual, por setor

SetorCompras por cliente ao ano
Moda1,59
Varejo geral1,59
Casa e decoração1,39

Esse é o dado mais duro da lista: o varejista médio vende para o mesmo cliente pouco mais de uma vez por ano. Não é um número ruim por acidente, é o que acontece quando não existe nenhum mecanismo puxando a segunda compra.

Crescimento da base e do gasto, por setor

SetorCrescimento de clientes únicos (média)Crescimento do gasto por cliente (média)
Moda1,0% (máximo de 31,3%)5,8% (máximo de 19,3%)
Casa e decoração1,7% (máximo de 44,8%)5,7% (máximo de 22,0%)
Varejo geral1,8% (máximo de 35,2%)6,1% (máximo de 21,8%)

Repare na distância entre a média e o máximo. Em casa e decoração, a média cresceu 1,7% a base, e a melhor marca cresceu 44,8%. A diferença entre a média e o topo não é o mercado, é o que cada um faz com a própria base.

Onde as marcas se encaixam

O mesmo estudo classifica as 300 marcas em quatro grupos:

Situação% das marcasO que aconteceu
Crescimento integral40,8%Ganharam clientes e aumentaram o gasto médio
Penetração36,6%Aumentaram o gasto, mas perderam clientes únicos
Expansão11,8%Ganharam clientes, com gasto médio menor
Erosão de base10,7%Perderam nos dois

Somando penetração e erosão, 47,3% das marcas perderam clientes únicos no período. Quase metade do varejo analisado cresceu ou se manteve espremendo mais de quem já era cliente, sem repor a base.

O quanto isso varia

Em um levantamento anterior da mesma empresa, com 20 marcas brasileiras de médio e grande porte, a taxa de recompra média ficou em 57,1%, com resultados indo de 26,9% a 90,7%. A distância entre o pior e o melhor é de mais de três vezes, o que reforça a leitura acima: recompra é resultado de operação, não de setor.

O que explica a diferença entre os setores

Três variáveis respondem pela maior parte da distância:

  1. Ciclo natural de consumo. Ninguém troca de sofá com a mesma frequência com que compra pão. Casa e decoração ficar abaixo de moda é esperado.
  2. Identificação do cliente. No mesmo estudo, a qualidade dos dados cadastrais foi de 54,9% em moda, 53,4% no varejo geral e 50,3% em casa. Metade da base é mal identificada, e cliente mal identificado não pode ser trazido de volta.
  3. Existência de mecanismo de retorno. Marca com programa de relacionamento ativo tem um motivo estruturado pra chamar o cliente. Sem isso, o retorno depende de ele lembrar sozinho.

O que fazer com esse número no seu negócio

Vale lembrar o outro lado da conta: aumentar a retenção em 5% pode elevar o lucro de 25% a 95%, e a Bain & Company estima que conquistar um cliente novo custa de 5 a 25 vezes mais do que reter um atual.

Metodologia e fontes

Os dados por setor cobrem moda, casa e decoração e varejo geral, que são os recortes divulgados. Segmentos como food service, beleza e bebidas não têm recorte público equivalente, então a comparação com eles deve ser feita com cautela.

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Nenhum desses números vale mais que o seu. E o seu só existe a partir do momento em que a compra deixa de ser anônima.

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Perguntas frequentes

O que é taxa de recompra?

É o percentual de clientes que compraram mais de uma vez no seu negócio dentro de um período. Se em 12 meses você atendeu 1.000 clientes e 400 deles voltaram pelo menos uma vez, sua taxa de recompra é de 40%. Ela mede relacionamento, ao contrário do faturamento, que mede volume e esconde se o crescimento veio de gente nova ou de gente que voltou.

Qual é uma boa taxa de recompra?

Depende do setor, mas serve de referência o levantamento da Dito com 20 marcas brasileiras de médio e grande porte, que encontrou média de 57,1%, com resultados indo de 26,9% a 90,7%. Comércio de bairro com frequência alta costuma ficar acima dessa média; negócios de compra rara, como ótica e móveis, naturalmente ficam abaixo.

Quantas vezes por ano o cliente brasileiro compra na mesma marca?

Pouco. Segundo o Clienting Index 2026, da Dito, a frequência média anual foi de 1,59 compra em moda, 1,39 em casa e decoração e 1,59 no varejo geral. Ou seja, o varejista médio vende para o mesmo cliente pouco mais de uma vez por ano, o que mostra o tamanho da margem de crescimento em recompra.

Como aumento a minha taxa de recompra?

Primeiro medindo, porque quem não identifica o cliente na compra não tem taxa nenhuma. Depois, agindo em duas frentes: dar um motivo pra voltar (a recompensa) e perceber quem parou de voltar (o relatório de inativos). É exatamente o que um programa de fidelidade digital faz, e por isso ele costuma ser o caminho mais curto pra mexer nesse número.